sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Living la muerte sã
Sair do acampamento aquela noite talvez não tivesse sido a melhor ideia que tive desde a vez que achei divertido botar fogo no rabo do Sátiro. Mas veja, aquela voz na minha cabeça começava a me enlouquecer. Bem, para explicar isso tenho que voltar a duas semanas atrás, quando uma voz feminina começou a chamar meu nome sempre no toque de recolher. A voz toda noite desde então suplica por ajuda desesperadamente na floresta. Como filho de Thanatos, eu não devia ter medo de nada, não é mesmo? ''Sou o filho da morte, vou até essa florestinha'' murmurei e levantei da cama.
Me vesti com uma calça jeans preta e meu tenis all star azul marinho, sem camiseta para tentar intimidar qualquer coisa que tentasse me perturbar na calada da noite. Para você, que está lendo isso e não entendeu, vou te explicar. Como meio-sangue filho da morte, eu tenho um visual um pouco diferente dos mortais e da maioria dos semideuses. Começando pela minha pele, que é tão branca quanto a dos vampirinhos que as menininhas adolescentes são apaixonadas. Seguido de ambos meus braços completamente fechados de tatuagens, com escritas em grego antigo em preto e símbolos, além de ter uma caveira em cada antebraço. Meus cabelos são lisos e negros como a escuridão de um abismo a noite, e o mais inusitado está nas minhas costas. Eu possuo asas negras, como meu pai. Asas enormes, que me dão um ar de anjo da morte. Eu sei, sou péssimo em me descrever, mas tente fazer isso com você, e vê se sai melhor.
Quando eu sai do meu chalé, caminhei lentamente pelas sombras para não me perceberem antes de chegar na floresta, com a voz da moça gritando a casa passo cada vez mais alto, me causando uma sensação que até então era desconhecida. Eu estava sentindo agonia. A única coisa boa é que ela também servia como um GPS Screamo. Logo que pisei na floresta, me lembrei do quão perigoso aquilo seria. O único lugar do acampamento em que haviam monstros selvagens prontos para te transformar em bigmac na primeira oportunidade.
As folhas das árvores balançavam com a brisa gelada como uma espécie de alarme a cada passo avançado, parecia que elas sabiam a merda que eu estava fazendo e me alertavam. O grito ficava cada vez mais alto, não lembro em que parte do caminho parou de sair da minha mente e ser real, mas foi o que aconteceu. De nervosismo fiz o que eu sabia fazer de melhor. Comecei a cantarolar ''Oh Death'', na versão da Jen Titus. Só que comigo isso tinha um propósito diferente. Conforme minha voz ficava mais forte, meus olhos mudavam de preto normal, para um negro sombrio e profundo. Mortais que vissem meus olhos assim teriam a visão do submundo em que acreditam. Alguns veriam os campos de asfódelos, outros o inferno e outros o umbral. Mas era certo que sempre veriam seu pior pesadelo após morrer. E em questão de segundos duas rachaduras abriram no solo, e dela dois esqueletos com armaduras romanas surgiram. Ah, esqueci de mencionar, como filho de Thanatos, eu posso conjurar esqueletos do submundo.
Eles eram mortos em combate de alguma guerra antiga romana e sabiam exatamente o que deviam fazer, me proteger. Agora eu caminhava até os gritos com um esqueleto na frente e outro atrás, como seguranças. O que certamente me fazia me sentir um pouco melhor.
Depois de 10 minutos caminhando, comecei a ver que algo realmente estava errado. Nenhuma criatura apareceu, parecia que estavam todas escondidas e não sairiam de suas tocas até Apolo resolver fazer o sol nascer no oeste. ''Porra, isso tá parecendo filme de terror, e eu sou o mocinho estúpido que vai no lugar que todos ficam putos, sabendo que vai dar merda'' Pensei isso comigo mesmo, mas nem deu tempo de continuar o raciocinio, logo eu vi a mulher dos gritos amarrada contra uma árvore. A expressão de tristeza nos olhos aparentemente verdes cheio de lagrimas dela me fez amolecer. Cara, entendam meu lado, era uma garota da minha idade provavelmete, 17 anos. Tinha os cabelos tão negros quanto os meus e um rosto tão lindo, que chegava a dar tristeza ao nota-la chorando e assustada desse jeito. Fiz um sinal com a mão mandando os esqueletos ficarem aonde estavam para não assustar mais a garota e me aproximei, com um sorriso. ''Calma, vai ficar tudo bem'' pisquei o olho para ela e continuei dizendo ''Vou te tirar daqui rapidinho''. Eu estava tão distraido que não notei os olhos a garota ficarem vermelhos como sangue, e os lábios da criaturinha formarem um sorriso tão maléfico que faziam a gargalhada de minha professora de matematica parecerem música clássica. E então a corda se rompeu.
Continua..Risos
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Living la vida sã.
Amigo, relaxa que essa sua vontade louca de se apaixonar não atinge só você, atinge a TODOS. Isso mesmo, a todos. Claro que tem aquele tipo de pessoa que diz para si mesmo que está bem sozinha, que nunca mais quer sentir esse tipo de coisa de novo. Mas na boa? Bullshit. O inconsciente de qualquer um grita desesperadamente por outro alguém para o ajudar a continuar aquele ciclo obvio. ''>>> Paixão > Tesão > Acomodação > Término > Ódio por relacionamento <<<''. Sim, esse é meio que um padrão em qualquer relacionamento contemporâneo. E o pior, o inconsciente de cada um sabe que para sentir a paixão, terá de sentir todo o resto que vem nessa caixa de pandora em versão miniatura. A pessoa sabe que ainda vai entrar na fossa, ou de maneira mais clara: Se foder. Mas, me chame de clichê, aquela sensação de ''nada mais importa'' de sentir que essa embalagem de ossos que se movimenta chamada de corpo está tão completa quanto os sentidos vale a pena. Sei lá, se apaixone, se foda, amadureça. E até a sensação de tristeza momentânea, até a fossa é atraente para as pessoas. É uma forma de prolongar a paixão até o último segundo antes de se esvair. Doido né? Mas infelizmente esse tipo de coisa não vem com teste de sanidade, não existe ''living la vida sã''.
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