terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Ato dois - Clichê de filme americano



Bem, eu tenho muita coisa para contar, e pouco tempo. Desde que escrevi a primeira carta as coisas começaram a acontecer tão rápido, que Lina, a filha de Hermes parecia uma tartaruga com muletas(cara, eu sei que estou viajando, mas eu dei uns bolas pra escrever isso e tirar o stress) . Bem, como vocês se lembram, eu sou o William Bridges, filho de Apolo de 19 anos que tinha uma vida próxima ao normal da maior parte do tempo, vivendo em Londres e tocando em inferninhos com a minha banda, The hot Sun Child's (criativo nada né) para sobreviver. Olha, não vou resumir a outra carta, se você não leu, nem sei o que está fazendo com a segunda, sugiro que queime e enfie no seu.. Bem, no lixo, hehe. Os primeiros dias após a tatuagem ser pregada no meu corpo foram normais, cheguei até a pensar que papai estava só entediado e brincando comigo, mas infelizmente a dois dias atrás eu percebi que não. Eu estava indo pegar um night bus depois de sair de um desses inferninhos do centro de Londres meio bêbado, eu e minha fiel e inseparável garrafinha térmica com whisky barato e meu visual pseudo rockstar: Um sobretudo preto, calça jeans surrada da mesma cor e um all star de couro.
 Cara, vou ser sincero, a pessoa que vos fala estava cambaleando e cantando uma mistura de Rock N Roll Star do Oasis com Let it Be do Beatles, algo totalmente bizarro de se escutar as 4 e meia da madrugada. Até os mendigos me olhavam assustados, mas percebi que era pelo fato de meus olhos estarem completamente amarelos, e todo lugar que eu passava ficar tão iluminado quanto o dia. Nem percebi que estava usando meus poderes de tão embaçada que minha vista estava, mas foda-se. Os mortais nem deviam estar vendo isso direito.
Deixa eu explicar, os humanos assimilam qualquer coisa fora da realidade deles do jeito mais próximo ao real, podiam estar vendo um doido bêbado cheio de lampadas de alta voltagem iluminando tudo, ou um palhaço em um trio elétrico, tanto faz. O problema é que eu percebi um mendigo me seguindo. Um senhor barbudo e corpulento com roupas rasgadas e um sorriso maléfico, igual o que seu avô provavelmente faz quando vê a vizinha gostosa de top e shortinho, sabe? Só que ele realmente parecia me comer com os olhos, e no sentido literal, não o do tarado do seu vô. Eu apertei o passo sempre olhando discretamente para traz, notando que ele fazia o mesmo. O problema é que eu resolvi ser o protagonista desses filminhos clichê e acabei entrando em um beco sem saída. Típico, né? Quando eu me dei conta o velha guarda de dois metros de altura estava bloqueando o caminho.
Isso é um lestrigão, feiosão.
A questão é que agora ele não era mais apenas um velho. Só havia sobrado a calça rasgada dele, o corpo era bem peludo e os dentes tão pontudos quanto os de um tubarão. Percebi que ele tinha bem mais que dois metros, e eu completamente bêbado, muito legal. Obviamente, eu fiz o que eu faço de melhor em situações como essa. - Ei grandão, você não sabia que hoje em dia ter muito pelo não faz sucesso com as garotas? você devi.. - Eu nem consegui terminar de falar e senti uma dessas latas de lixo passar como um tiro ao lado da minha cabeça e se espatifar na parede do beco. Dei um sorrisinho torto abri minhas mãos. Me concentrei e com o treinamento que tinha condensei duas esferas de luz prontas para explodir naquela criatura. Eu já sabia o que era, um lestrigão. Mas um lestrigão sozinho não fazia sentido nenhum. Provavelmente ele tinha amigos próximos, e eu tinha que me apressar. Antes de eu atirar a voz dele falou. - Mim matar você, e depois dar para o chefe, ganhar pontos com isso - Eu nem respondi, comecei a rir de bêbado que estava, o grandão nem falar sabia, quanto mais me matar. Sorte que eu já treinei muito depois de bebedeiras com os filhos de Dionísio  atirei a primeira esfera na parede, chamando a atenção dele,  que ficou olhando para a luz igual um retardado. Nesse meio tempo eu já tinha outra esfera de luz na mão e como um bom arqueiro filho de Apolo, acertei o estomago do filho do donkey kong, o transformando em pó logo em seguida. Isso seria rotineiro para um semideus, monstros querendo nossas cabeças, etc e tal. Mas aquele era diferente, ele me queria para alguma coisa, e não era bem ele, um chefe queria fazer algo com meu corpinho sensual. Cheguei em casa e capotei, e quando acordei saltei da cama de susto, caindo de bunda no chão logo em seguida. Porra, tinha uma ninfa dos ventos me observando dormir, isso era muito edwardfreak cullen pro meu gosto. Não tenho mais tempo de escrever, explico melhor na próxima carta diário porque o sátiro do meu lado sente cheiro de monstros, até.

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