Bem, eu tenho muita coisa para contar, e pouco tempo. Desde que escrevi a primeira carta as coisas começaram a acontecer tão rápido, que Lina, a filha de Hermes parecia uma tartaruga com muletas(cara, eu sei que estou viajando, mas eu dei uns bolas pra escrever isso e tirar o stress) . Bem, como vocês se lembram, eu sou o William Bridges, filho de Apolo de 19 anos que tinha uma vida próxima ao normal da maior parte do tempo, vivendo em Londres e tocando em inferninhos com a minha banda, The hot Sun Child's (criativo nada né) para sobreviver. Olha, não vou resumir a outra carta, se você não leu, nem sei o que está fazendo com a segunda, sugiro que queime e enfie no seu.. Bem, no lixo, hehe. Os primeiros dias após a tatuagem ser pregada no meu corpo foram normais, cheguei até a pensar que papai estava só entediado e brincando comigo, mas infelizmente a dois dias atrás eu percebi que não. Eu estava indo pegar um night bus depois de sair de um desses inferninhos do centro de Londres meio bêbado, eu e minha fiel e inseparável garrafinha térmica com whisky barato e meu visual pseudo rockstar: Um sobretudo preto, calça jeans surrada da mesma cor e um all star de couro.
Cara, vou ser sincero, a pessoa que vos fala estava cambaleando e cantando uma mistura de Rock N Roll Star do Oasis com Let it Be do Beatles, algo totalmente bizarro de se escutar as 4 e meia da madrugada. Até os mendigos me olhavam assustados, mas percebi que era pelo fato de meus olhos estarem completamente amarelos, e todo lugar que eu passava ficar tão iluminado quanto o dia. Nem percebi que estava usando meus poderes de tão embaçada que minha vista estava, mas foda-se. Os mortais nem deviam estar vendo isso direito.
Deixa eu explicar, os humanos assimilam qualquer coisa fora da realidade deles do jeito mais próximo ao real, podiam estar vendo um doido bêbado cheio de lampadas de alta voltagem iluminando tudo, ou um palhaço em um trio elétrico, tanto faz. O problema é que eu percebi um mendigo me seguindo. Um senhor barbudo e corpulento com roupas rasgadas e um sorriso maléfico, igual o que seu avô provavelmente faz quando vê a vizinha gostosa de top e shortinho, sabe? Só que ele realmente parecia me comer com os olhos, e no sentido literal, não o do tarado do seu vô. Eu apertei o passo sempre olhando discretamente para traz, notando que ele fazia o mesmo. O problema é que eu resolvi ser o protagonista desses filminhos clichê e acabei entrando em um beco sem saída. Típico, né? Quando eu me dei conta o velha guarda de dois metros de altura estava bloqueando o caminho.
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| Isso é um lestrigão, feiosão. |


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